Os mais de 300 trabalhadores da saúde de Canoas vinculados ao contrato 64, que deverão ser desligados das suas funções no próximo dia 31 de julho, decidiram parar as atividades a partir da próxima quarta-feira. A greve foi determinada em assembleia realizada na tarde desta sexta-feira no auditório do Hospital Nossa Senhora das Graças, após mais um encontro de mediação com a Justiça do Trabalho (TRT-4).
O secretário-geral do Sindisaúde, Júlio Jesien, informou que a paralisação começa às 8h de quarta-feira e segue por tempo indeterminado. “Na segunda-feira faremos um ato em frente à Prefeitura, das 11h às 14h, para mobilizar os atores envolvidos neste processo.” O protesto também ocorre pela falta de recursos para quitar pagamento integral das verbas rescisórias e FGTS.
A agente de atendimento da UBS Fátima, Samara Trindade, disse que o movimento é válido e importante. “Estamos lutando por um direito que é nosso por lei. Temos família, temos casa, temos filhos. Não podemos cruzar os braços. Amanhã ou depois não teremos emprego. Precisamos sim nos unir e nos mobilizar. Precisamos ser ouvidos.” Da mesma ideia compartilha a funcionária da higienização que preferiu não se identificar. “Queremos receber, mas eles não querem pagar. Vamos aderir sim à greve. Queremos ter nossos direitos respeitados.”
O diretor jurídico da Associação beneficente São Miguel, que juntamente com a ABC gerenciam e administram o Hospital Nossa Senhora das Graças, César Luis Baumgratz, voltou a reafirmar que está priorizando a busca de recursos para quitar o pagamento das rescisórias. “Continuamos na luta pelo financiamento. Na próxima segunda-feira, teremos uma reunião para viabilizar o empréstimo. Queremos sanar todos os direitos trabalhistas.”
A prefeitura de Canoas informa que a contratação, tanto quanto a demissão, dos funcionários atrelados ao contrato 64 (firmado em 2013 e renovado por mais um ano em 2018) são de responsabilidade do Hospital Nossa Senhora das Graças. A entidade pondera ainda que o encerramento do contrato e a consequente cessação dos vínculos desses funcionários já era prevista há mais de um ano e os montantes necessários para garantir a quitação dos direitos dos trabalhadores já estavam descritos em contrato e foram repassados pelo Município ao hospital. Sendo assim, a Secretaria da Saúde, como garante a lei, irá exigir do Hospital o cumprimento integral do contrato de prestação de serviço até o seu final, ou seja, até o dia 31 de julho.
O Executivo esclarece que vem buscando de todos os modos evitar prejuízos à população, tanto que já encaminhou novas licitações para substituição do atual contrato a partir de agosto e reafirma sua solidariedade com os trabalhadores, pois vem acompanhando, junto ao Tribunal Regional do Trabalho, as negociações entre o hospital e os funcionários.
Fonte: Correio do Povo

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