Traumatologia da Santa Casa de Pelotas deixa de realizar atendimentos de urgência por tempo indeterminado

A direção da Santa Casa de Pelotas fechou nesta quarta-feira (20), por tempo indeterminado, o setor de traumatologia do hospital para atendimentos de urgência. O motivo é a falta de dinheiro para a compra de medicamentos e insumos.

Novos pacientes não estão sendo recebidos no pronto-socorro da instituição. Apenas consultas estão sendo feitas, e pacientes já internados estão sendo atendidos. As cirurgias eletivas foram canceladas temporariamente. Atualmente, mais de 800 pessoas aguardam na fila por uma cirurgia de traumatologia.

O local é o único que que presta o serviço 100% via Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade, que fica no Sul do Rio Grande do Sul. Em média, sete casos graves costumam chegar por dia ao setor. A orientação para quem estiver em uma situação de urgência é procurar o Pronto-Socorro de Pelotas.

Falta de repasses do estado

A direção da Santa Casa alega que o governo do estado não repassou parte dos incentivos de setembro, nem a totalidade de outubro, novembro e dezembro para o hospital. O atraso é de cerca de R$ 1 milhão, segundo a instituição. Deste valor, R$ 700 mil seriam destinados à traumatologia, conforme a direção.

Já a Secretaria da Saúde, por meio de nota, afirma que a dívida é de R$ 400 mil, por setembro e outubro de 2018. O governo diz que abriu uma linha de crédito para 116 Santas Casas e hospitais filantrópicos, e que a casa de saúde pelotense está entre os contemplados pelo Fundo de Apoio Financeiro e de Recuperação dos Hospitais Privados, Sem Fins Lucrativos e Hospitais Públicos (Funafir). Leia a nota na íntegra abaixo.

Sem o dinheiro, o hospital diz que não tem condições técnicas de manter o setor aberto. Ainda não há previsão de quando os serviços serão restabelecidos.

O problema no atraso de repasses por parte do governo do estado é antigo e contínuo. Em agosto de 2018, o mesmo hospital chegou a fechar 33 leitos por falta de verba. Em junho do ano passado, a realização das cirurgias traumatológicas já havia sido reduzida pela Santa Casa.

Também nesta quarta-feira, funcionários da Santa Casa fizeram um protesto em frente ao hospital. A manifestação foi por atrasos nos salários. Eles reclamam que há dois anos os valores são depositados de forma parcelada. Além disso, os funcionários também não estão recebendo vale-transporte e auxílio-creche para os filhos.

O hospital reconhece que, pela falta de repasses do governo estadual, não tem conseguido pagar em dia os salários e benefícios. Sobre o vale-alimentação, o hospital afirmou que o depósito foi feito nesta quarta, mas que em função dos trâmites bancários, pode levar dois dias para o valor estar disponível para os funcionários.

Nota do governo estadual

O Governo do Estado abriu, nesta semana, uma linha de crédito no valor de R$ 100 milhões para 116 Santas Casas e hospitais filantrópicos. A Santa Casa de Misericórdia de Pelotas está na lista dos contemplados pelo Fundo de Apoio Financeiro e de Recuperação dos Hospitais Privados, Sem Fins Lucrativos e Hospitais Públicos (Funafir). O empréstimo, junto ao Banrisul, tem carência de 12 meses e pode ser pago em 18 parcelas, com os juros bancados pelo Governo do Estado. O valor à disposição da Santa Casa pelo Funafir equivale a dois meses de fatura do Sistema Único de Saúde (SUS).

Fonte: G1 RS

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